Conteúdo Pfizer em parceria com a Medscape.
O vírus sincicial respiratório (VSR) é uma das principais causas de infecção do trato respiratório inferior (ITRI) em lactentes e um importante agente de doença respiratória em adultos mais velhos. Estimativas globais indicam que, em crianças <5 anos, o vírus sincicial respiratório (VSR) esteve associado a aproximadamente 101.400 óbitos em 2019 (2% de todas as mortes infantis), com 46% ocorrendo nos primeiros 5 meses de vida; anualmente, ocorrem cerca de 33 milhões de episódios de ITRI por vírus sincicial respiratório (VSR) e 3,6 milhões de hospitalizações nessa faixa etária. A maioria dos óbitos em países de baixa e média renda ocorre na comunidade, sem que haja a possibilidade de acesso a cuidados hospitalares. Em lactentes, a primo-infecção costuma ocorrer já no primeiro ano de vida; período de alta vulnerabilidade para as formas mais críticas de doença, particularmente quando a infecção ocorre nos primeiros meses de vida. A sazonalidade é marcante em países com climas temperados (picos no outono–inverno por ~5 meses) e mais variável em regiões subtropicais e equatoriais. Além do impacto agudo imediato (bronquiolite/pneumonia, hipoxemia, com necessidade de hospitalizações, suporte ventilatório e admissões em unidades de terapia intensiva), a ITRI por vírus sincicial respiratório (VSR) em início de vida associa-se ainda a desfechos respiratórios de longo prazo (sibilância recorrente, possível função pulmonar comprometida).
Prevenção em lactentes: vacinação materna e anticorpos monoclonais de ação prolongada.
A OMS (SAGE/2024; Positioning Statement 2025) recomenda a incorporação das novas estratégias de prevenção nos lactentes por duas vias: (1) vacinação materna contra o vírus sincicial respiratório (vacina RSVpreF) durante a gestação, visando transferência transplacentária de anticorpos; e/ou (2) uso de anticorpos monoclonais de ação prolongada administrados ao lactente logo ao nascer. O objetivo precípuo das estratégias de imunização não é impedir infecção, mas sim reduzir as formas sintomáticas da doença e suas complicações (incluindo os desfechos mais graves como a hospitalização, ITRI grave, óbito).
No mundo real, diversos estudos realizados em países que incorporaram estas estratégias de imunização comprovaram a efetividade e a segurança tanto da vacinação materna como dos anticorpos monoclonais de ação prolongada para prevenção de doença em lactentes, com redução dramática das taxas de hospitalização tanto entre os bebês cujas mães foram vacinadas como em bebês imunizados com uma dose dos anticorpos monoclonais.
Neste contexto, a decisão do Ministério da Saúde do Brasil pela incorporação da vacinação materna do vírus sincicial respiratório (VSR) a partir de novembro de 2025 representa um importante passo no controle das formas graves de doença causada pelo vírus sincicial respiratório (VSR) nos recém-nascidos e lactentes jovens, com expectativa de redução de hospitalizações, admissões em UTIs, sequelas e mortalidade relacionadas à infecção pelo vírus sincicial respiratório (VSR) nos primeiros meses de vida. Essa medida sinaliza o fortalecimento das políticas nacionais de imunização e alinhamento com evidências recentes que demonstram eficácia e segurança da vacinação materna contra o vírus sincicial respiratório (VSR), com a perspectiva concreta de reduzir desigualdades em saúde e promover maior equidade para todos os bebês brasileiros.
Carga da doença pelo vírus sincicial respiratório (VSR) em idosos e evidência de efetividade da vacinação para prevenção de desfechos graves.
Em adultos com idade ≥ 60 anos, dados epidemiológicos recentes indicam que o vírus sincicial respiratório (VSR) é hoje reconhecidamente uma causa relevante de doença respiratória, sobretudo naqueles com mais de 70 anos e em adultos que vivem em presença de comorbidades pulmonares, cardiovasculares, metabólicas, situações de imunossupressão, doenças renais, hepáticas, entre outras. Nestes grupos a infecção pelo vírus sincicial respiratório (VSR) aumenta o risco de ITRI, hospitalização, complicações cardiovasculares e morte, com carga comparável à da influenza, com o agravante de não dispormos de antivirais específicos para o tratamento. No Brasil encontram-se já disponíveis vacinas (RSVPreF3 e RSVpreF), que demonstraram eficácia consistente contra ITRI por vírus sincicial respiratório (VSR). Evidências de mundo real mostram que a vacinação contra o vírus sincicial respiratório (VSR) neste grupo etário foi protetora, com uma efetividade de cerca de 80% na prevenção de hospitalizações e de 77% na redução de visitas ao serviço de urgência relacionadas ao vírus. Os dados de segurança indicam um perfil de reatogenicidade aceitável, embora exista um evento adverso raro, a Síndrome de Guillain-Barré (GBS), na ordem de menos de 10 casos por milhão de doses administradas, o que não altera a relação benefício-risco positiva, especialmente para os subgrupos de maior vulnerabilidade. Esses achados sustentam a oferta sazonal da vacina em idosos—com ênfase em idade ≥75 anos e em indivíduos maiores de 50 ou 60 anos com comorbidades como doença pneumocócica (DPOC), cardiopatias, doença renal, câncer ou imunossupressão—integrada às demais intervenções respiratórias (influenza, COVID-19 e pneumococo) quando apropriado.
Incorporar essas estratégias de forma sazonal e oportunística (cada consulta como oportunidade), com foco nos grupos de maior risco, é passo chave para reduzir internações, UTI e mortalidade atribuíveis ao vírus sincicial respiratório (VSR).
Referências bibliográficas:
Participantes
COORDENADOR CIENTÍFICO E MODERADOR
Prof. Dr. Marco Aurélio Sáfadi
CRM 54792 SP
Diretor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
Presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria
ESPECIALISTA
Profa. Dra. Cecilia Roteli-Martins
CRM 31004 SP
Médica Ginecologista. Pesquisadora da Faculdade de Medicina do ABC
Membro da Comissão Nacional Especializada em Vacinas da FEBRASGO
Profa. Dra. Rosemeri Maurici
CRM 5465 SC
Médica Pneumologista. Professora Titular da Universidade Federal de Santa Catarina
Coordenadora da Comissão Nacional de Vacinas da Sociedade Brasileira de Pneumologia
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Coordenador científico: Prof. Dr. Marco Sáfadi
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