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Transformando em rotina a vacinação ao longo da vida

Coordenador científico: Prof. Dr. Marco Sáfadi

A mensagem que permeou este programa é simples e poderosa: vacinar ao longo de toda a vida salva vidas — e cabe a nós transformarmos essa visão em rotina clínica, com processos claros e oportunidades em cada contato assistencial. Em pediatria, vimos como as vacinas pneumocócicas conjugadas (PCVs) impactaram nas taxas de doença por sorotipos vacinais e geraram proteção indireta para outras idades; também aprendemos que a substituição de sorotipos exige vigilância ativa e valências ampliadas para preservar o impacto populacional e individual, especialmente em idosos e pessoas com comorbidades.

Nos extremos da vida, o vírus sincicial respiratório (VSR) ilustra bem a lógica da rotina: proteger o lactente via vacinação materna e/ou uso de anticorpos monoclonais, e reduzir hospitalizações e outros desfechos de doença em idosos com vacinas — estratégias que já demonstraram efetividade de mundo real e perfil de segurança favorável, devendo ser oferecidas sazonalmente e de forma oportunística (cada consulta conta).

A experiência recente com COVID-19 consolidou outro pilar: a necessidade de adaptação periódica de formulações (modelo sazonal) para manter proteção contra formas graves nas populações de maior risco, alavancando plataformas tecnológicas flexíveis como mRNA e mantendo a conversa atualizada com nossos pacientes.

Colocar tudo isso em prática diária requer processo, não apenas intenção. Transformar vacinação em rotina implica ir além do primeiro ano de vida, fortalecendo plataformas para adolescentes, adultos, gestantes e idosos, integrando imunização a outros serviços essenciais (atenção primária, escolas, trabalho) e reduzindo oportunidades perdidas por meio de checagem sistemática, políticas de catch-up e uso de registros domiciliares/eletrônicos ao longo do curso da vida. Isso requer evidência local de carga de doença, alinhamento de comitês nacionais e independentes que assessoram tecnicamente os Ministérios da Saúde sobre vacinas e programas de imunização (NITAGs – Grupos Consultivos Técnicos Nacional de Imunizações), coordenação intersetorial e financiamento estável para sustentar coberturas altas e equitativas — um passo-chave para “não deixar ninguém para trás” na década. Cinco movimentos tornam a vacinação uma rotina efetiva:

  1. Checagem sistemática de situação vacinal em toda consulta (preventiva ou por intercorrência), com registro estruturado em prontuário e decisão no ato.

  2. Oferta oportuna e coadministração quando elegível (p. ex., pacote respiratório antes da sazonalidade: influenza + COVID-19 sazonal + VSR + pneumococo), reduzindo perdas de seguimento.

  3. Calendários por idade e risco, revisados à luz da epidemiologia local (sorotipos emergentes do pneumococo; sazonalidade de VSR; linhagens de SARS-CoV-2) e integrados em todas as idades pertinentes.

  4. Comunicação centrada no paciente para enfrentar a hesitação vacinal: escuta ativa, validação de dúvidas e apresentação de dados de efetividade/segurança com exemplos práticos — toda consulta é oportunidade de educar.

  5. Facilitação logística e indicadores de desempenho (coberturas, coadministração, quedas de internação por causas-alvo) para retroalimentar a equipe.

O caminho adiante é integrar: integrar calendários, integrar equipes, integrar mensagens. A adoção destas medidas faz com que a vacinação deixe de ser um ato eventual para se tornar um hábito assistencial — tão automático quanto aferir pressão arterial ou revisar medicações. Essa é a essência do nosso papel: transformar ciência em rotina, com foco em quem mais se beneficia, ao longo de toda a vida.

Referências bibliográficas:

  1. Wallace AS, Ryman TK, et al. Leaving no one behind: Defining and implementing an integrated life course approach to vaccination across the next decade as part of the immunization Agenda 2030. Vaccine. 2024 Apr 8;42 Suppl 1(Suppl 1):S54−S63. doi: 10.1016/j.vaccine.2022.11.039.
  2. Cunningham AL, McIntyre P, Subbarao K, Booy R, Levin MJ. Vaccines for older adults. BMJ. 2021 Feb 22;372:n188. doi: 10.1136/bmj.n188.
  3. Hunter P, Fryhofer SA, Szilagyi PG. Vaccination of Adults in General Medical Practice. Mayo Clin Proc. 2020 Jan;95(1):169−183. doi: 10.1016/j.mayocp.2019.02.024.

  1. Qual resposta, entre as alternativas abaixo, melhor traduz o papel dos NITAGs na atualização do calendário do adulto, fundamentando as mudanças necessárias?

  1. Em consulta de puericultura, os pais de um lactente demonstram hesitação vacinal para o pacote respiratório do outono-inverno (influenza, COVID-19 sazonal, VSR e pneumococo). Qual abordagem do médico aumenta a chance de aceitação e está alinhada às recomendações?

As opiniões e pontos de vista expressos não representam necessariamente a visão da Medscape, seus editores, consultores ou anunciantes.

Resposta incorreta

Resposta correta: C
Justificativa: O texto de conclusão propõe comunicação centrada no paciente para enfrentar hesitação: recomendação médica forte, escuta qualificada, apresentação de evidências e oportunidade (coadministração e registro no ato). Postura neutra (A) e delegação passiva (B) reduzem adesão; apelos ao medo (D) pioram confiança e podem aumentar resistência.

Resposta incorreta

Resposta correta: C
Justificativa: A vacinação materna visa proteger o lactente, e deve ser administrada durante a gestação para permitir transferência transplacentária adequada de anticorpos. Assim, vacinar já às 29 semanas está dentro da janela programática e antecipa proteção do recém-nascido no início da vida.

Resposta incorreta

Resposta correta: C
Justificativa: Em adultos/idosos de alto risco que já receberam PCV13 + PPV23, a opção de uso da PCV20 fornece valência ampliada exatamente sobre os sorotipos emergentes (p. ex., 22F/33F/8) e mantém a vantagem T-dependente dos conjugados. Como o intervalo desde a última pneumocócica é >1 ano, não há restrição temporal. Em cenários atuais, não se recomenda rotineiramente nova PPV23 após PCV20, o que também simplifica o esquema. As opções A e D geram complexidade e reatogenicidade extras com ganho incerto; a B perde a oportunidade de ampliar proteção frente ao perfil epidemiológico de sorotipos prevalentes no local.

Resposta incorreta

Resposta correta: C
Justificativa: Intervenções multicomponentes (oferta ativa e oportunística, recuperação de faltosos com lembretes, recomendação clara do profissional e redução de barreiras logísticas) superam ações isoladas e aumentam consistentemente a cobertura.

Resposta incorreta

Resposta correta: D
Justificativa: Em adultos e idosos, os eixos influenza, pneumococo, VSR, COVID-19 e zóster concentram o maior potencial de reduzir hospitalizações, complicações e óbitos, com dTpa (tétano/difteria/coqueluche) e hepatites como estratégias transversais conforme risco clínico/ocupacional. Essas prioridades estão alinhadas ao enfoque de curso de vida e às recomendações de calendários de adultos/idosos, porque se concentram nas infecções que mais geram carga de doença grave nessas faixas etárias e para as quais há vacinas com efetividade comprovada disponíveis em cenários do mundo real.

Resposta incorreta

Resposta correta: B
Justificativa: A recomendação da abordagem oportunística, com avaliação da carteira e oferta de vacinas em todo contato assistencial, ajustando sazonalidade e reforços às diretrizes, é sustentada por evidências de efetividade programática: A OMS (IA2030) e a OPAS orientam reduzir oportunidades perdidas de vacinação, instituindo checagem sistemática em cada encontro e oferta ativa de doses pendentes; essa estratégia é central no modelo de vacinação ao longo da vida e integra pontos de contato em atenção primária, consultas por intercorrências e hospital/ambulatórios. A alternativa B também garante conformidade com calendários nacionais (PNI) e sociedades científicas (p.ex., SBP, SBI, SBIm), que organizam reforços e sazonalidade no cuidado rotineiro.

Resposta incorreta

Resposta correta: B
Justificativa: Em idade ≥75 anos com comorbidades, a oportunidade é crítica. Levando em conta a sazonalidade dos vírus VSR e influenza, a coadministração é aceitável e otimiza cobertura; pode aumentar reatogenicidade, mas sem perda clínica relevante de efetividade.

Resposta incorreta

Resposta correta: C
Justificativa: A vacinação pneumocócica está associada à redução de hospitalizações por pneumonia, mortalidade geral e eventos cardiovasculares em idosos. Estudos de coorte e meta-análises mostram que idosos vacinados com PCV13 ou PPSV23 apresentam menor risco de hospitalização por pneumonia e redução significativa de mortalidade por todas as causas, além de menor incidência de infarto agudo do miocárdio. A justificativa biológica para esse efeito inclui a prevenção da descompensação inflamatória sistêmica desencadeada pela pneumonia, que pode precipitar eventos cardiovasculares agudos, como ruptura de placas ateroscleróticas e arritmias.

Resposta incorreta

Resposta correta: D
Justificativa: Integrar evidências locais de carga de doença e epidemiologia (como sorotipos e sazonalidade), recomendações independentes do Grupo Técnico Assessor Nacional de Imunização (NITAG), e alinhar-se para expandir plataformas de imunização além do primeiro ano de vida, permite maximizar o impacto populacional, garantir relevância epidemiológica e promover equidade na cobertura vacinal. Opções A, B e D ignoram esses pilares.

Resposta correta

Resposta incorreta

Resposta correta: B
Justificativa: Estratégias centradas no paciente — escuta ativa, empatia e validação das preocupações — aliadas à apresentação de dados claros e exemplos práticos, aumentam a confiança e a adesão, além de manter a vacinação como tema recorrente nas consultas

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