Conteúdo Pfizer em parceria com a Medscape.
Os programas de imunização figuram entre as maiores conquistas da saúde pública mundial. Em conjunto com água potável e melhor acesso aos serviços de saúde, as vacinas contribuíram de forma decisiva para o aumento da expectativa de vida e para a queda dramática da mortalidade infantil observada em múltiplos países. Estimativas da OMS indicam que as campanhas de vacinação previnem 4–5 milhões de mortes por ano no mundo.1
O impacto é histórico e concreto: as vacinas foram essenciais para a erradicação da varíola em 1980 — doença responsável por cerca de 300 milhões de mortes no século XX — e para a eliminação de poliomielite, tétano neonatal, rubéola e síndrome da rubéola congênita em diversas regiões. As imunizações também controlaram agravos outrora responsáveis por altas taxas de internações, sequelas e óbitos em crianças e adolescentes, como tétano acidental, coqueluche, sarampo e difteria.1 Nas últimas duas décadas, novas vacinas foram desenvolvidas e incorporadas com sucesso, incluindo rotavírus, HPV (papilomavírus humano), meningocócicas, pneumocócicas, herpes-zóster, COVID-19 e mais recentemente VSR (vírus sincicial respiratório), entre outras; em 2019, a vacinação contra malária começou a ser implementada em países africanos, com potencial de reduzir de forma significativa a carga dessa infecção em crianças.1−3
Pesquisas em vacinas terapêuticas para condições não transmissíveis, como câncer, hipertensão, doença de Alzheimer, esclerose lateral amiotrófica, diabetes tipo 1 e dislipidemias, ilustram a fronteira translacional do campo.1
No plano conceitual, algumas vacinas induzem proteção tão consistente e robusta que reduzem não só a possibilidade do desenvolvimento da doença sintomática, mas também o risco de infecção e por consequência transmissão do patógeno. Quando se alcançam altas coberturas com vacinas com estas características, emergem efeitos de imunidade coletiva, limitando ou até mesmo interrompendo a circulação do patógeno.1 Esse fundamento sustenta a estratégia de vacinação ao longo do curso de vida, hoje central nas agendas nacionais e internacionais por reduzir hospitalizações, óbitos e sequelas não apenas na infância, mas também em adolescentes, adultos e idosos.2 A recente queda de coberturas, a imunossenescência e as lacunas de imunidade acumuladas reforçam a necessidade de abordagens contínuas, integradas e oportunísticas.1−2
Todas as faixas etárias devem ser contempladas por calendários por idade e por condição de risco (gestação, imunossupressão, comorbidades, ocupação). No Brasil, o Calendário Nacional do PNI (Programa Nacional de Imunização) e os calendários das sociedades científicas orientam a prática com recomendações específicas, esquemas de reforço e recuperação de doses.3−6
A priorização deve levar em conta a carga de doença local, risco individual, sazonalidade, além do perfil de reatogenicidade e de eficácia/efetividade da vacina. Na infância/adolescência, seguem prioritárias as imunizações contra doenças prevalentes nestes grupos etários. Em adultos e idosos, influenza, pneumococo, VSR (vírus sincicial respiratório), COVID-19 e herpes zóster são pilares na prevenção de desfechos graves, enquanto dTpa (tríplice bacteriana acelular do tipo adulto – gestantes, profissionais de saúde) e hepatites A e B compõem estratégias transversais.2
Toda consulta é uma oportunidade para avaliar a carteira e ofertar doses em atraso — abordagem oportunística preconizada pela IA2030 (OMS) e pela OPAS.7−8 O timing sazonal (p.ex., influenza) e os reforços devem seguir as orientações do PNI e das sociedades científicas, com individualização em condições especiais.1−5
Entre as medidas que elevam a efetividade do programa no cotidiano destacamos: a checagem sistemática da carteira em cada contato; a oferta ativa e busca de faltosos
(recall/recordatório); o acompanhamento de indicadores simples (cobertura por faixa etária, recuperação de faltosos e “tempo porta-vacina”).2,7
Referências bibliográficas:
Participante
COORDENADOR CIENTÍFICO E MODERADOR
Prof. Dr. Marco Aurélio Sáfadi
CRM 54792 SP
Diretor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
Presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria
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Moderador: Prof. Dr. Marco Sáfadi
Dr. Renato Kfouri
Prof. Dra. Rosana Richtmann
Moderador: Prof. Dr. Marco Sáfadi
Prof. Dr. Daniel Jarovsky
Prof. Dr. Otávio Rizzi Coelho Filho
Moderador: Prof. Dr. Marco Sáfadi
Profa. Dra. Cecilia Roteli-Martins
Profa. Dra. Rosemeri Maurici
Coordenador científico: Prof. Dr. Marco Sáfadi
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