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COVID-19: Pós-Pandemia,
convivendo com a endemia

Novas Tecnologias e Vacinação Sazonal para COVID-19

Participantes: Prof. Dr. Marco Sáfadi e Profa. Dra. Rosana Richtmann

A pandemia de COVID-19 acelerou o desenvolvimento e a aplicação de plataformas vacinais inovadoras, como o RNA mensageiro (mRNA) e outras tecnologias adaptáveis, que já vinham sendo estudadas antes de 2020. As vacinas de RNAm apresentam o atrativo da viabilidade de produção de grande quantidade de doses em um espaço de tempo relativamente curto, permitindo também a possibilidade de rápida adaptação do RNAm contemplado nas vacinas às variantes do SARS-CoV-2 que eventualmente demonstrem capacidade de evasão da resposta imune induzida pelas versões iniciais do vírus.

O êxito dessas plataformas em induzir proteção contra o SARS-CoV-2 em tempo recorde representou um divisor de águas na história da imunização, oferecendo uma flexibilidade estratégica sem precedentes para a saúde pública. Além das vacinas de mRNA, plataformas como vetores virais, vírus inativados e proteínas recombinantes tiveram papel crucial no enfrentamento da pandemia de COVID-19, ampliando a disponibilidade global de imunizantes, garantindo alternativas em diferentes contextos epidemiológicos e logísticos, e contribuindo para a redução de hospitalizações e mortes.

Com a evolução contínua do vírus e a emergência de sublinhagens sucessivas, consolidou-se a necessidade de um modelo de vacinação sazonal, semelhante ao já empregado para influenza.

Esse conceito implica a adaptação periódica das formulações vacinais, alinhando-as às cepas predominantes e garantindo proteção sustentada contra formas graves da doença. Embora a eficácia contra infecção sintomática seja variável, os estudos têm demonstrado que as vacinas atualizadas mantêm elevada efetividade na prevenção de hospitalizações e óbitos, sobretudo em grupos vulneráveis.

Atualmente, recomenda-se a vacinação contra a COVID-19 em intervalos regulares para idosos, imunocomprometidos, pessoas com comorbidades específicas, gestantes, lactentes e profissionais de saúde, que apresentam maior risco de complicações.

A comunicação clara dessas recomendações aos pacientes é fundamental, já que a percepção de que a pandemia terminou pode induzir à falsa ideia de que a imunização deixou de ser necessária. Na realidade, o SARS-CoV-2 permanece em circulação, e as recomendações de proteção vacinal precisam ser periodicamente revisitadas para estarem adequadas ao momento epidemiológico e assim preservar seu impacto sobre a morbimortalidade da doença.

Dessa forma, a expectativa atual em relação às vacinas contra COVID-19 não tem como principal objetivo a prevenção da infecção, mas, sobretudo, a capacidade de oferecer proteção contra formas graves e fatais da doença, assim como suas complicações. Trata-se de uma mudança de paradigma que coloca a imunização como parte integrante da rotina clínica para grupos prioritários, consolidando-se como uma ferramenta essencial de saúde coletiva.

No vídeo a seguir, moderado pelo Dr. Marco Sáfadi com a Dra. Rosana Richtmann, serão discutidos dados sobre a epidemiologia atual de COVID no Brasil, além de recomendações de quem deve receber a vacina, quando e de que forma, visando oferecer a melhor proteção contra esse vírus potencialmente letal.

Referências bibliográficas:

  1. Watson O. et al. Global impact of the first year of COVID-19 vaccination: a mathematical modelling study. Lancet. 2022;22:1293-1302.
  2. Marcov P. et al. The evolution of SARS-CoV-2. Nat Rev Microbiol. 2023;21:361-379.
  3. Chung Y-S. et al. Comprehensive Review of COVID-19: Epidemiology, Pathogenesis, Advancement in Diagnostic and Detection Techniques, and Post-Pandemic Treatment Strategies. Int J Mol Sci. 2024;25:8155.
  4. Yewdell J. Antigenic drift: Understanding COVID-19. Immunity. 2021;34:2681-2687.
  5. Jarovsky D, et al. Characteristics and clinical outcomes of COVID-19 in children: a hospital-based surveillance study in Latin America’s hardest-hit city. IJID Reg. 2023 Jun;7:52-62
  6. Solante R, et al. Further implications on the global real-world vaccine effectiveness against SARS-CoV-2. Expert Rev Vaccines. 2022 Sep;21(9):1355-1357.

  1. A principal razão para adotar um modelo de vacinação sazonal contra a COVID-19 é:

Participantes

COORDENADOR CIENTÍFICO E MODERADOR

Prof. Dr. Marco Aurélio Sáfadi
Diretor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
Presidente do Departamento de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria

ESPECIALISTA

Profa. Dra. Rosana Richtmann
Médica Infectologista do Hospital Emílio Ribas
Diretora do Comitê de Imunizações da Sociedade Brasileira de Infectologia

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Moderador: Prof. Dr. Marco Sáfadi
Profa. Dra. Cecilia Roteli-Martins
Profa. Dra. Rosemeri Maurici

Conclusão

Coordenador científico: Prof. Dr. Marco Sáfadi

As opiniões e pontos de vista expressos não representam necessariamente a visão da Medscape, seus editores, consultores ou anunciantes.

Resposta incorreta

Resposta correta: C
Justificativa: O texto de conclusão propõe comunicação centrada no paciente para enfrentar hesitação: recomendação médica forte, escuta qualificada, apresentação de evidências e oportunidade (coadministração e registro no ato). Postura neutra (A) e delegação passiva (B) reduzem adesão; apelos ao medo (D) pioram confiança e podem aumentar resistência.

Resposta incorreta

Resposta correta: C
Justificativa: A vacinação materna visa proteger o lactente, e deve ser administrada durante a gestação para permitir transferência transplacentária adequada de anticorpos. Assim, vacinar já às 29 semanas está dentro da janela programática e antecipa proteção do recém-nascido no início da vida.

Resposta incorreta

Resposta correta: C
Justificativa: Em adultos/idosos de alto risco que já receberam PCV13 + PPV23, a opção de uso da PCV20 fornece valência ampliada exatamente sobre os sorotipos emergentes (p. ex., 22F/33F/8) e mantém a vantagem T-dependente dos conjugados. Como o intervalo desde a última pneumocócica é >1 ano, não há restrição temporal. Em cenários atuais, não se recomenda rotineiramente nova PPV23 após PCV20, o que também simplifica o esquema. As opções A e D geram complexidade e reatogenicidade extras com ganho incerto; a B perde a oportunidade de ampliar proteção frente ao perfil epidemiológico de sorotipos prevalentes no local.

Resposta incorreta

Resposta correta: C
Justificativa: Intervenções multicomponentes (oferta ativa e oportunística, recuperação de faltosos com lembretes, recomendação clara do profissional e redução de barreiras logísticas) superam ações isoladas e aumentam consistentemente a cobertura.

Resposta incorreta

Resposta correta: D
Justificativa: Em adultos e idosos, os eixos influenza, pneumococo, VSR, COVID-19 e zóster concentram o maior potencial de reduzir hospitalizações, complicações e óbitos, com dTpa (tétano/difteria/coqueluche) e hepatites como estratégias transversais conforme risco clínico/ocupacional. Essas prioridades estão alinhadas ao enfoque de curso de vida e às recomendações de calendários de adultos/idosos, porque se concentram nas infecções que mais geram carga de doença grave nessas faixas etárias e para as quais há vacinas com efetividade comprovada disponíveis em cenários do mundo real.

Resposta incorreta

Resposta correta: B
Justificativa: A recomendação da abordagem oportunística, com avaliação da carteira e oferta de vacinas em todo contato assistencial, ajustando sazonalidade e reforços às diretrizes, é sustentada por evidências de efetividade programática: A OMS (IA2030) e a OPAS orientam reduzir oportunidades perdidas de vacinação, instituindo checagem sistemática em cada encontro e oferta ativa de doses pendentes; essa estratégia é central no modelo de vacinação ao longo da vida e integra pontos de contato em atenção primária, consultas por intercorrências e hospital/ambulatórios. A alternativa B também garante conformidade com calendários nacionais (PNI) e sociedades científicas (p.ex., SBP, SBI, SBIm), que organizam reforços e sazonalidade no cuidado rotineiro.

Resposta incorreta

Resposta correta: B
Justificativa: Em idade ≥75 anos com comorbidades, a oportunidade é crítica. Levando em conta a sazonalidade dos vírus VSR e influenza, a coadministração é aceitável e otimiza cobertura; pode aumentar reatogenicidade, mas sem perda clínica relevante de efetividade.

Resposta incorreta

Resposta correta: C
Justificativa: A vacinação pneumocócica está associada à redução de hospitalizações por pneumonia, mortalidade geral e eventos cardiovasculares em idosos. Estudos de coorte e meta-análises mostram que idosos vacinados com PCV13 ou PPSV23 apresentam menor risco de hospitalização por pneumonia e redução significativa de mortalidade por todas as causas, além de menor incidência de infarto agudo do miocárdio. A justificativa biológica para esse efeito inclui a prevenção da descompensação inflamatória sistêmica desencadeada pela pneumonia, que pode precipitar eventos cardiovasculares agudos, como ruptura de placas ateroscleróticas e arritmias.

Resposta incorreta

Resposta correta: D
Justificativa: Integrar evidências locais de carga de doença e epidemiologia (como sorotipos e sazonalidade), recomendações independentes do Grupo Técnico Assessor Nacional de Imunização (NITAG), e alinhar-se para expandir plataformas de imunização além do primeiro ano de vida, permite maximizar o impacto populacional, garantir relevância epidemiológica e promover equidade na cobertura vacinal. Opções A, B e D ignoram esses pilares.

Resposta correta

Resposta incorreta

Resposta correta: B
Justificativa: Estratégias centradas no paciente — escuta ativa, empatia e validação das preocupações — aliadas à apresentação de dados claros e exemplos práticos, aumentam a confiança e a adesão, além de manter a vacinação como tema recorrente nas consultas

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