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Vacinação ao longo da vida:
por que, para quem, qual e quando?

Coordenador científico: Prof. Dr. Marco Sáfadi

Os programas de imunização figuram entre as maiores conquistas da saúde pública mundial. Em conjunto com água potável e melhor acesso aos serviços de saúde, as vacinas contribuíram de forma decisiva para o aumento da expectativa de vida e para a queda dramática da mortalidade infantil observada em múltiplos países. Estimativas da OMS indicam que as campanhas de vacinação previnem 4–5 milhões de mortes por ano no mundo.1

O impacto é histórico e concreto: as vacinas foram essenciais para a erradicação da varíola em 1980 — doença responsável por cerca de 300 milhões de mortes no século XX — e para a eliminação de poliomielite, tétano neonatal, rubéola e síndrome da rubéola congênita em diversas regiões. As imunizações também controlaram agravos outrora responsáveis por altas taxas de internações, sequelas e óbitos em crianças e adolescentes, como tétano acidental, coqueluche, sarampo e difteria.1 Nas últimas duas décadas, novas vacinas foram desenvolvidas e incorporadas com sucesso, incluindo rotavírus, HPV (papilomavírus humano), meningocócicas, pneumocócicas, herpes-zóster, COVID-19 e mais recentemente VSR (vírus sincicial respiratório), entre outras; em 2019, a vacinação contra malária começou a ser implementada em países africanos, com potencial de reduzir de forma significativa a carga dessa infecção em crianças.1−3

Pesquisas em vacinas terapêuticas para condições não transmissíveis, como câncer, hipertensão, doença de Alzheimer, esclerose lateral amiotrófica, diabetes tipo 1 e dislipidemias, ilustram a fronteira translacional do campo.1

No plano conceitual, algumas vacinas induzem proteção tão consistente e robusta que reduzem não só a possibilidade do desenvolvimento da doença sintomática, mas também o risco de infecção e por consequência transmissão do patógeno. Quando se alcançam altas coberturas com vacinas com estas características, emergem efeitos de imunidade coletiva, limitando ou até mesmo interrompendo a circulação do patógeno.1 Esse fundamento sustenta a estratégia de vacinação ao longo do curso de vida, hoje central nas agendas nacionais e internacionais por reduzir hospitalizações, óbitos e sequelas não apenas na infância, mas também em adolescentes, adultos e idosos.2 A recente queda de coberturas, a imunossenescência e as lacunas de imunidade acumuladas reforçam a necessidade de abordagens contínuas, integradas e oportunísticas.1−2

Todas as faixas etárias devem ser contempladas por calendários por idade e por condição de risco (gestação, imunossupressão, comorbidades, ocupação). No Brasil, o Calendário Nacional do PNI (Programa Nacional de Imunização) e os calendários das sociedades científicas orientam a prática com recomendações específicas, esquemas de reforço e recuperação de doses.3−6

A priorização deve levar em conta a carga de doença local, risco individual, sazonalidade, além do perfil de reatogenicidade e de eficácia/efetividade da vacina. Na infância/adolescência, seguem prioritárias as imunizações contra doenças prevalentes nestes grupos etários. Em adultos e idosos, influenza, pneumococo, VSR (vírus sincicial respiratório), COVID-19 e herpes zóster são pilares na prevenção de desfechos graves, enquanto dTpa (tríplice bacteriana acelular do tipo adulto – gestantes, profissionais de saúde) e hepatites A e B compõem estratégias transversais.2

Toda consulta é uma oportunidade para avaliar a carteira e ofertar doses em atraso — abordagem oportunística preconizada pela IA2030 (OMS) e pela OPAS.7−8 O timing sazonal (p.ex., influenza) e os reforços devem seguir as orientações do PNI e das sociedades científicas, com individualização em condições especiais.1−5

Entre as medidas que elevam a efetividade do programa no cotidiano destacamos: a checagem sistemática da carteira em cada contato; a oferta ativa e busca de faltosos
(recall/recordatório); o acompanhamento de indicadores simples (cobertura por faixa etária, recuperação de faltosos e “tempo porta-vacina”).2,7

Referências bibliográficas:

  1. Sáfadi MA. The importance of immunization as a public health instrument. J Pediatr (Rio J). 2023 Mar-Apr;99 Suppl 1(Suppl 1):S1−S3. doi: 10.1016/j.jped.2022.12.003
  2. Bonanni P, et al. Lifetime vaccination as a key disease-prevention strategy. Vaccine. 2021;39(5):711–718.
  3. SBIm. Sociedade Brasileira de Imunizações. Calendários de Vacinação 2024/2025 (crianças, adolescentes, adultos, idosos e grupos especiais). Disponível em: https://sbim.org.br/calendarios-de-vacinacao
  4. SBP. Sociedade Brasileira de Pediatria. Calendário de vacinação da SBP. Disponível em
    https://www.sbp.com.br/imprensa/detalhe/news/calendario-de-vacinacao-da-sbp-atualizacao-20242025/.
  5. SBI. Sociedade Brasileira de Infectologia. Momento de vacinação. Disponível em:
    https://infectologia.org.br/movimento-vacinacao/
  6. Ministério da Saúde. Calendário Nacional de Vacinação e diretrizes do PNI (Instruções Normativas/Notas Técnicas vigentes). Disponível em:
    chrome-extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://www.gov.br/saude/pt-br/vacinacao/publicacoes/i nstrucao-normativa-que-instrui-o-calendario-nacional-de-vacinacao-2025.pdf
  7. Lindstrand A, et al. Implementing the immunization agenda 2030: A framework for action through coordinated planning, monitoring & evaluation, ownership & accountability, and communications & advocacy. Vaccine. 2024 Apr 8;42 Suppl 1(Suppl 1):S15−S27. doi: 10.1016/j.vaccine.2021.09.045.
  8. PAHO/OPAS. Life-course approach to immunization in the Americas. Washington, DC; 2023. Disponível em:https://iris.paho.org/handle/10665.2/60974

  1. Em um ambulatório geral, qual estratégia melhor traduz a abordagem oportunística de vacinação ao longo da vida?

  1. Quais eixos prioritários de imunização em adultos e idosos concentram prevenção de desfechos graves?

As opiniões e pontos de vista expressos não representam necessariamente a visão da Medscape, seus editores, consultores ou anunciantes.

Resposta incorreta

Resposta correta: C
Justificativa: O texto de conclusão propõe comunicação centrada no paciente para enfrentar hesitação: recomendação médica forte, escuta qualificada, apresentação de evidências e oportunidade (coadministração e registro no ato). Postura neutra (A) e delegação passiva (B) reduzem adesão; apelos ao medo (D) pioram confiança e podem aumentar resistência.

Resposta incorreta

Resposta correta: C
Justificativa: A vacinação materna visa proteger o lactente, e deve ser administrada durante a gestação para permitir transferência transplacentária adequada de anticorpos. Assim, vacinar já às 29 semanas está dentro da janela programática e antecipa proteção do recém-nascido no início da vida.

Resposta incorreta

Resposta correta: C
Justificativa: Em adultos/idosos de alto risco que já receberam PCV13 + PPV23, a opção de uso da PCV20 fornece valência ampliada exatamente sobre os sorotipos emergentes (p. ex., 22F/33F/8) e mantém a vantagem T-dependente dos conjugados. Como o intervalo desde a última pneumocócica é >1 ano, não há restrição temporal. Em cenários atuais, não se recomenda rotineiramente nova PPV23 após PCV20, o que também simplifica o esquema. As opções A e D geram complexidade e reatogenicidade extras com ganho incerto; a B perde a oportunidade de ampliar proteção frente ao perfil epidemiológico de sorotipos prevalentes no local.

Resposta incorreta

Resposta correta: C
Justificativa: Intervenções multicomponentes (oferta ativa e oportunística, recuperação de faltosos com lembretes, recomendação clara do profissional e redução de barreiras logísticas) superam ações isoladas e aumentam consistentemente a cobertura.

Resposta incorreta

Resposta correta: D
Justificativa: Em adultos e idosos, os eixos influenza, pneumococo, VSR, COVID-19 e zóster concentram o maior potencial de reduzir hospitalizações, complicações e óbitos, com dTpa (tétano/difteria/coqueluche) e hepatites como estratégias transversais conforme risco clínico/ocupacional. Essas prioridades estão alinhadas ao enfoque de curso de vida e às recomendações de calendários de adultos/idosos, porque se concentram nas infecções que mais geram carga de doença grave nessas faixas etárias e para as quais há vacinas com efetividade comprovada disponíveis em cenários do mundo real.

Resposta incorreta

Resposta correta: B
Justificativa: A recomendação da abordagem oportunística, com avaliação da carteira e oferta de vacinas em todo contato assistencial, ajustando sazonalidade e reforços às diretrizes, é sustentada por evidências de efetividade programática: A OMS (IA2030) e a OPAS orientam reduzir oportunidades perdidas de vacinação, instituindo checagem sistemática em cada encontro e oferta ativa de doses pendentes; essa estratégia é central no modelo de vacinação ao longo da vida e integra pontos de contato em atenção primária, consultas por intercorrências e hospital/ambulatórios. A alternativa B também garante conformidade com calendários nacionais (PNI) e sociedades científicas (p.ex., SBP, SBI, SBIm), que organizam reforços e sazonalidade no cuidado rotineiro.

Resposta incorreta

Resposta correta: B
Justificativa: Em idade ≥75 anos com comorbidades, a oportunidade é crítica. Levando em conta a sazonalidade dos vírus VSR e influenza, a coadministração é aceitável e otimiza cobertura; pode aumentar reatogenicidade, mas sem perda clínica relevante de efetividade.

Resposta incorreta

Resposta correta: C
Justificativa: A vacinação pneumocócica está associada à redução de hospitalizações por pneumonia, mortalidade geral e eventos cardiovasculares em idosos. Estudos de coorte e meta-análises mostram que idosos vacinados com PCV13 ou PPSV23 apresentam menor risco de hospitalização por pneumonia e redução significativa de mortalidade por todas as causas, além de menor incidência de infarto agudo do miocárdio. A justificativa biológica para esse efeito inclui a prevenção da descompensação inflamatória sistêmica desencadeada pela pneumonia, que pode precipitar eventos cardiovasculares agudos, como ruptura de placas ateroscleróticas e arritmias.

Resposta incorreta

Resposta correta: D
Justificativa: Integrar evidências locais de carga de doença e epidemiologia (como sorotipos e sazonalidade), recomendações independentes do Grupo Técnico Assessor Nacional de Imunização (NITAG), e alinhar-se para expandir plataformas de imunização além do primeiro ano de vida, permite maximizar o impacto populacional, garantir relevância epidemiológica e promover equidade na cobertura vacinal. Opções A, B e D ignoram esses pilares.

Resposta correta

Resposta incorreta

Resposta correta: B
Justificativa: Estratégias centradas no paciente — escuta ativa, empatia e validação das preocupações — aliadas à apresentação de dados claros e exemplos práticos, aumentam a confiança e a adesão, além de manter a vacinação como tema recorrente nas consultas

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